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(O Porto Feminino é um blog sem fins lucrativos, que existe desde 2007. Todos os textos foram escritos por Carolina Miranda, e são portanto de autoria original. Não existe qualquer vínculo entre o Porto Feminino e o Porto Feminino Shop).

24/01/2010

Fé e Filantropia

Não há como ignorar a calamidade pública e o estado em que se encontra o Haiti. Minha semana passou praticamente organizando coleta de dinheiro na escola, conscientizando meus alunos (da primeira série) do que aconteceu por lá, doando dinheiro pra diversas instituições de caridade, e assistindo ao jornal pra tentar entender um pouco qual o meu papel nisso tudo. E como eu expliquei aos meus alunos, infelizmente não há muito o que fazer, a não ser rezar e mandar dinheiro. Pois foi isso que eu fiz durante a semana toda, rezei e mandei dinheiro. Eu também refleti muito, a respeito de algumas coisas que já encontrei. Eu resolvi escrever sobre duas dessas coisas: fé e filantropia.


Eu sempre estive em constante conflito com a minha fé e a minha religião. Quando eu entrei no colegial, eu oficialmente me revoltei contra a religião católica e passei a procurar alternativas. Porque pelo menos uma das minhas verdades interior eu sei: não consigo viver sem fé. Investi em tudo que estava ao meu alcance, mas principalmente no espiritísmo e no budismo chinês. Em nenhuma das duas religiões, eu encontrei uma alternativa que tenha me satisfeito. A constante presença de culpas cavalares no espiritísmo me cansou (não teve um livro que eu li, que doutrinava a felicidade como objetivo, era sempre carma, culpa, carma, culpa, carma). E no fim, o budismo nem religião é (é uma filosofia atéia que não acredita em nenhum Deus). Ai também não deu pra mim. Fiquei anos com uma sensação de vazio, meio a deriva. E apesar de eu continuar achando muito padre hipócrita, a vida me trouxe de volta ao catolicismo (essa redescoberta merece um capítulo a parte, pois a história é como sempre longa e complicada).
Basta dizer que em um momento angustiante da minha vida, a única igreja em que eu sabia sentar e rezar, foi a católica, e foi lá que encontrei algo que pelo menos se parecesse com a tal da misericórdia divina. A conclusão a que cheguei é a seguinte: existem tradições das quais fazemos parte, e que se integram no nosso dia a dia, através da cultura, da literatura, da arte. Negar o meu catolicismo não me fez bem, porque tudo o que eu conheço (e prezo) tem raízes nessa versão da bíblia.
Outro dia estava ouvindo Maria Bethânia, que estava cantando uma música escrita pela Vanessa da Mata (duas artistas que eu venero) e a música estava cheia de referências a Nossa Senhora - só quem é católico pra entender isso. A Virgem Maria, do jeito que conhecemos, não existem em nenhuma outra religião Cristã.
Enfim... O que tenho me proposto é a re-aprender as tradições, e a pelo menos ler (e passar a relmente conhecer) os textos escritos por St. Agostinho, por Sta. Teresa de Ávila, por Madre Tereza.
Dentro dessa imensa (e rica) tradição, complicada, cheia de contradições, eu tenho também redescoberto a minha fé. Porque as contradições são tantas, e tão enormes, que tem lugar pra todo mundo nesse barco: inclusive pra alguém como eu, que não deixa de observar a hipocrisia de muitos padres, mas que também não mais fecha os olhos pra outros católicos que só conseguiram fazer a diferença que fizeram, com a ajuda da sua fé, como a falecida Zilda Arns. Então ficou claro pra mim que renegar a minha tradição é perda de tempo. É mais produtivo aceitar as contradições e encontrar meu lugar dentro delas.
Por isso, nessa última semana eu rezei. Rezei como sabia, as orações tradicionalmente católicas, e outras que funcionam pra mim. Tenho escrito pra Deus, sem muita frescura, porque parece que me foco mais. Seja lá o que Deus for, não há como ignorar o poder que existe na reza. E como eu disse pros meus alunos, nessas horas, a gente só pode rezar... Então por favor, seja lá quem ou o que seja o seu Deus, reze. Se aproxime dele ou dela, e reze. Existe um poder imenso da energia que move esse mundo, e eu espero poder fazer parte dele.

Filantropia
Como eu já disse antes, o Canadá só é o país que é, porque existe uma infinidade de programas filantrópicos e a responsabilidade em contribuir está presente na cultura. Existem organizações maravilhosas no Brasil, e eu resolvi promover um site que tem uma lista bem grande de várias dessas organizações: Filantropia - Portal Brasil
Como professora do sistema público daqui, eu sei bem que um voluntário na minha sala de aula faz toda a diferença do mundo! No momento, além do meu trabalho, eu escrevo no meu blog, eu faço parte de duas organizações, a comissão de estudos sobre a mulher no meu sindicato, e o Teachers Mentors Abroad e estou estudando a possibilidade de me envolver com a Casa da Mulher, onde mulheres e crianças que sofreram violência doméstica recebem ajuda imdiata. Eu doou regularmente pra o World Vision, e pra WWF.
Esse é um lado meu que poucos conhecem no Brasil, mas que eu resolvi dividir pra que de repente traga motivação pra amigos e membros da minha família pra conseguirem (dentro das possibilidades) doar um pouco mais de si. Não existe governo, nem fé, que supra todas as necessidades de uma sociedade. Somos todos responsáveis um pelo outro, e principalmente pelos mais fracos, que precisam de ajuda.

Por hoje eu fico por aqui.
Fiquem com Deus,
Carol


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